
Bom dia, meus Amigos
Dizem-me que Portugal é um país pequeno e, de facto, se o pensarmos numa escala europeia ou em comparação com muitos dos países que nos estão próximos, temos de concluir que sim. Na verdade, um território que se pode hoje atravessar de norte a sul em meio-dia, seja de automóvel ou de comboio, não se pode dizer que seja grande. E assim sendo, quase seria lógico que a diversidade se encontrasse reduzida ao mínimo, mas não está. Não está, geograficamente. Veja-se o Minho, montanhoso, verde, belo. O interior transmontano e beirão, rude, fechado nas suas aldeias, quantas vezes, perdido no tempo gerindo a dureza de Invernos pesados. O vale do Vouga, extenso, plano, recortado por uma agricultura própria e estendendo-se pelas margens do Mondego. A Estremadura, imitando as montanhas do Minho, mas queimada já pelo ar do sul, o Ribatejo e o Alentejo, quase áridos de floresta, de planícies extensas e terra seca e, por fim, a serra Algarvia debruçada sobre o mar com aroma mediterrânico. Não está, também culturalmente, embora aqui as divisões sejam menores aparecendo mais claro uma unidade nortenha e outra a sul, com Coimbra em busca de identidade própria, sempre procurando distanciar-se, por vezes sobranceiramente com essa ideia da cidade do conhecimento. Não está ainda, linguisticamente, mesmo hoje apesar do grande movimento de pessoas, da uniformização de termos, a língua, melhor, os termos linguísticos são ainda sinónimo de caracterização do local de proveniência. Vejamos, a chamada reconquista levou os senhores do norte até ao Algarve. Foram 150 anos de conquistas e de expulsão de gentes, pelo menos das elites, gentes essas que tinham de deixar marcas ao fim de uma presença de 500 anos. Afastadas essas elites, morta muita da gente, algo ficou e como a tropa colonizadora que descia não era muita, acabou por se misturar, pelo que muito do que havia não desapareceu. Escondeu-se, disfarçou-se, mas não morreu, daí estas diferenças de hoje, quer nós queiramos, ou não. Afinal só lá vão 800 anos, pouco mais do que a totalidade da presença árabe no território. Perante tanta diversidade, é quase um milagre a sobrevivência da nação ao longo do tempo, sem fracturas, sem divisões, sem sobressaltos divisionistas, apenas regionalismos que se bem geridos e tratados podiam até ser saudáveis em termos de engrandecimento do todo, pois a competição não tem de ser necessariamente um factor desagregador. “Esqueci-me” dos Açores e da Madeira, mas foi propositado, pois esses são outros jardins à parte.
ARQUIVO
Tão baço o teu retrato
No álbum da lembrança!
Que vaga semelhança
Entre a imagem que vejo
E a dor que sinto!
Minto
Se te disser
Que te desejo ainda,
Que o meu instinto
Te reconhece e quer.
E sei que um dia me perdi
Em ti
Como se perde o homem na mulher.
MIGUEL TORGA
Amávamo-nos, porém, tanto quanto é possível amar sem paixão recíproca;
MARGUERITE YOURCENAR, in “Alexis ou o Tratado do Vão Combate”
“O Congresso Histórico de Famalicão deu a conhecer o primeiro texto escrito em galaico-português no seu território. Apenas um pequeno facto – mas que ajuda a viver o presente de forma exaltante e a imaginar um futuro de sucesso para os famalicenses.”
LUÍS FARINHA, “Famalicão terra com história ”, in “História”, Julho/Agosto de 2005
Porto, 23 de Agosto de 2005