LEITURAS

Em 1849 um italiano amigo de Garibaldi inventa um «telégrafo falante» em Havana. Chama-se António Meucci e é um génio absolutamente desprovido de sorte. Uma série de infortúnios usurpa-lhe o direito ao reconhecimento histórico e Graham Bell passa para os anais da história como o pai do telefone. Até que em 1993, o ano zero de Cuba, o ano de todos os apagões e de todas as carências, o ano em que os sonhos e o sexo se convertem nos únicos desideratos e prazeres de uma sociedade agastada, duas mulheres e três homens decidem entregar-se à demanda de um documento que devolva o inventor ao pedestal onde merece estar. Um labirinto de vontades que confluem no objectivo de encontrar um manuscrito e divergem no fim que lhe pretendem dar.
Karla Suárez nasceu em Havana, em 1969. É licenciada em Engenharia Electrónica profissão que continua a exercer. É autora de romances e contos. As suas obras estão traduzidas em vários idiomas, tendo algumas sido adaptadas à televisão e ao teatro em Cuba e em França. Foi diversas vezes bolseira de criação literária, e em 2007 foi seleccionada entre os trinta e nove jovens escritores mais representativos da América Latina. Depois de Roma e Paris, Karla Suárez vive actualmente em Lisboa.
Atrevo-me a escrever que este livro permite-nos uma leitura descontraída, há até um certo ar de brincadeira em toda a história que nos conta, e no entanto, um pouco por trás, quase sem darmos pela sua presença, o momento dramático da vida de um país, Cuba, no ano de 1993 quando quase tudo parou, após o colapso dos regimes socialistas da Europa de quem o país das Caraíbas tanto dependia, facto que aliado ao criminoso embargo dos EUA e aqui e ali algumas opções erradas na tentativa de construção de uma sociedade mais justa, naturais quando se experimenta, digamos, naturais se as soubermos corrigir, provocaram carências extraordinárias na sociedade e população cubanas, bem visíveis em alguns momentos do romance. Este é uma história de procura, de descoberta, de um documento, misturando-se relações humanas, amores, equívocos e no interior de tudo isto ficamos a conhecer, António Meucci, o verdadeiro construtor do telefone.
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