POESIA AO AMANHECER
Bom dia, Amigos
Estava a pensar o que vos podia dizer hoje a título de conversa e lembrei-me que só vos tenho falado do entardecer quando o amanhecer é tão belo. Significa que há muito não me levanto de madrugada ou que estou sem aquele espírito optimista que nos desperta para essa alegria que é ver nascer o dia. É verdade. Há quatro ou cinco anos dei início a um velho e adiado desejo da infância que era construir uma cidade de pequenos comboios. Ao longo de três anos, pacientemente fui construindo, montanhas, aldeias, túneis, cidades e viagens. Quase todos os dias retinha a ansiedade quotidiana, parando largos minutos para olhar as composições a circular. Nos últimos tempos imaginei até um espaço maior para o TGV poder alcançar a sua velocidade de ponta. De repente, tudo cessou. Os comboios estão parados há cinco meses. Por isso, hoje vos venho de novo falar do pôr-do-sol que ontem vi desenhado no horizonte quando descia de Braga pela A3 e mais tarde aquele crepúsculo que a transição do dia noite para a noite transformou o estuário do Douro num lago de serenidade. Continuo a viver momento a momento. Faltam-me as grandes e pequenas epopeias da vida que nos catapultam para momentos de espanto.
Tenham um bom fim de semana.
LÍRICA
No meu jardim aberto ao sol da vida,
Faltavas tu, humana flor de infância
Que não tive...
E o que revive
Agora
À volta da candura
Do teu rosto!
O recuado Agosto
Em que nasci
Parece o recomeço
Doutro destino:
Este, de ser menino
Ao pé de ti...
MIGUEL TORGA
"Gasto o seu combustível, a gigante vermelha já não pode produzir as pressões necessárias para se defender da aniquiladora força interior da sua própria gravidade e as camadas exteriores começam a ceder para o centro. A gigante vermelha sucumbe."
ROBERT JASTROW, in "A Arquitectura do Universo"
"Os sindicatos são organizações de compromisso colectivo, em que a referência central da sua vida é a solidariedade de classe. Acontece que um dos instrumentos fundamentais deste retrocesso neo-liberal é a ruptura de solidariedades, é a individualização das relações."
MANUEL CARVALHO DA SILVA, in "Manifesto", Dezembro de 2003
Porto, 05 de Março de 2004
Estava a pensar o que vos podia dizer hoje a título de conversa e lembrei-me que só vos tenho falado do entardecer quando o amanhecer é tão belo. Significa que há muito não me levanto de madrugada ou que estou sem aquele espírito optimista que nos desperta para essa alegria que é ver nascer o dia. É verdade. Há quatro ou cinco anos dei início a um velho e adiado desejo da infância que era construir uma cidade de pequenos comboios. Ao longo de três anos, pacientemente fui construindo, montanhas, aldeias, túneis, cidades e viagens. Quase todos os dias retinha a ansiedade quotidiana, parando largos minutos para olhar as composições a circular. Nos últimos tempos imaginei até um espaço maior para o TGV poder alcançar a sua velocidade de ponta. De repente, tudo cessou. Os comboios estão parados há cinco meses. Por isso, hoje vos venho de novo falar do pôr-do-sol que ontem vi desenhado no horizonte quando descia de Braga pela A3 e mais tarde aquele crepúsculo que a transição do dia noite para a noite transformou o estuário do Douro num lago de serenidade. Continuo a viver momento a momento. Faltam-me as grandes e pequenas epopeias da vida que nos catapultam para momentos de espanto.
Tenham um bom fim de semana.
LÍRICA
No meu jardim aberto ao sol da vida,
Faltavas tu, humana flor de infância
Que não tive...
E o que revive
Agora
À volta da candura
Do teu rosto!
O recuado Agosto
Em que nasci
Parece o recomeço
Doutro destino:
Este, de ser menino
Ao pé de ti...
MIGUEL TORGA
"Gasto o seu combustível, a gigante vermelha já não pode produzir as pressões necessárias para se defender da aniquiladora força interior da sua própria gravidade e as camadas exteriores começam a ceder para o centro. A gigante vermelha sucumbe."
ROBERT JASTROW, in "A Arquitectura do Universo"
"Os sindicatos são organizações de compromisso colectivo, em que a referência central da sua vida é a solidariedade de classe. Acontece que um dos instrumentos fundamentais deste retrocesso neo-liberal é a ruptura de solidariedades, é a individualização das relações."
MANUEL CARVALHO DA SILVA, in "Manifesto", Dezembro de 2003
Porto, 05 de Março de 2004
2 Comments:
Poderia comentar muita coisa aqui, mas como ando aqui a correr digo-te que gosto desse poema de Miguel Torga.
beijinhos
Lindo poema de Miguel Torga!
Beijinhos
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