Sede de Infinito

Infinito é o que se encontra para além de tudo, do conhecimento, da imaginação, do alcance da mão. Ter sede do que se encontra para lá da linha do horizonte é a imensa vontade de alcançar o que não vemos, o que não possuímos, o que não conhecemos, é por fim, uma forma de perseguir o saber e o conhecimento, se assim o desejarmos, conduzir o sonho através do tempo.

10 abril, 2007

POESIA


Para que não partas

Os dias continuam a passar por mim
ignorando a angústia da tua ausência
como se não estivesse aguardando
que os deuses se revoltem

Continuas a seguir os meus passos
nos sonhos das noites eternas
ou nos dias imensos do amanhã
como se fosse verdade que vais chegar

Hoje voltaste a aparecer
na curva dum atalho duma montanha esquecida
Abracei-te com a vontade
que só acalenta os seres que amam.
Ah! como és bela
como gosto de ouvir as palavras
pronunciadas por essa tua voz rouca
perdendo-se em planícies longínquas
e regressando sempre à minha memória
fazendo-me companhia
quando a solidão desliza pelo silêncio dos crepúsculos
em busca de um gesto que nos ampare.

Estava sol quando chegaste
e não consigo afastar esta minha tristeza
Só tu, só esse teu sorriso,
que me lembra os montes de açucenas
onde guardei a minha infância,
me faz sossegar,
serenar a alma amargurada.

Por isso, hoje não me despedi de ti
vi-te partir, acreditando que ficavas.
Eu sei,
eu sei, que o sol te vem buscar todas as tardes
e te leva numa longa viagem pela noite.
eu sei
mas não quero acreditar.

Porto, Julho de 1997. A segunda das Canções Desesperadas

1 Comments:

Blogger Lurdes said...

Bonita!
Beijinhos

11:28 da manhã  

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