Sede de Infinito

Infinito é o que se encontra para além de tudo, do conhecimento, da imaginação, do alcance da mão. Ter sede do que se encontra para lá da linha do horizonte é a imensa vontade de alcançar o que não vemos, o que não possuímos, o que não conhecemos, é por fim, uma forma de perseguir o saber e o conhecimento, se assim o desejarmos, conduzir o sonho através do tempo.

11 dezembro, 2006

POESIA AO AMANHECER


Bom dia, meus Amigos de sempre

Eu chamo a este espaço um momento de poesia, mas vocês sabem como exagero sempre. Na verdade, o que aqui faço é aproveitar estas energias do amanhecer, onde a vida renasce para me vir confessar das fraquezas e fragilidades da noite ou da tarde passada e estes fins de tarde como já vos disse não são fáceis. Ontem foi um dos difíceis. Na verdade, o dia não correu bem e aquele comunicado do Sindicato dos outros senhores não me deixou bem. Não é pelas discordâncias, é pela estatura moral, pela degradação das ideias, pela estupidez elevada à categoria de verdade. Magoa-me a alma, é só isso. Depois há aqueles valores, aqueles símbolos todos em que acredito que por vezes me põem como um pato bravo fora da história, mas que não consigo deixar de perseguir. Ideais? Perguntava-me alguém no Domingo para dizer que já não existiam, quanto mais morrer com eles. A pensar nisto e já na saída deparo com a história de um Colega que fez opções sindicais, as quais não me atrevo a comentar, não pela razão da escolha, mas por pormenores, apenas pretensos ganhos materiais. Acabei mesmo com a alma derrotada, de tal forma que nem a beleza fantástica da luz do entardecer a brilhar no rio me provocou melhorias no olhar. Lembrei-me do Pedro Homem de Melo,
Que importa o azul do céu e o azul das águas
O que procuro é gente
Que sinta o meu amor e as minhas mágoas!
Aproveitei para ir comprar comida para os cães e acabei a deambular pela Fnac entre Garcia Marquez e Saramago, a poesia da Sofia Melo Breiner e a de Florbela Espanca, a música antiga e a do Pedro Barroso. Acho que a noite lavou as nódoas e agora já estamos num dia bonito e no silêncio desta serenidade que me rodeia. Como escreveu o Vitorino Nemésio,
Não há ninguém que me derrote:
afogado ou flutuante hei-de chegar.


POSSO ESCREVER OS VERSOS...

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.

Escrever, por exemplo: «A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe.»

O vento da noite gira no céu e canta.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a, e por vezes ela também me amou.

Em noites como esta tive-a eu nos meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.

Ela amou-me, por vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que a perdi já.

Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.

Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.

Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com havê-la perdido

Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.
O meu coração procura-a, e ela não está comigo.

A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois os de então, já não somos os mesmos.

Já não a amo, é verdade, mas tanto que eu a amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.

De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.

Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.

Porque em noites como esta a tive nos meus braços,
a minha alma não se contenta com havê-la perdido.

Embora seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.

PABLO NERUDA, in "Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada"

"A explosão lança para o Espaço todos os elementos que a estrela tem vindo a produzir durante a sua vida, retendo apenas o pequeno centro a arder debilmente."

ROBERT JASTROW, in "A Arquitectura do Universo"

"Importa ter presente a realidade da indústria tradicional. É justamente por se tratar de uma realidade onde os abusos e prepotências há muito estão em vigor, onde no dia-a-dia da vida laboral não é a lei, mas porventura a ausência dela, que não é a rigidez, mas o excesso de flexibilidade, que prevalecem."

ELÍSIO ESTANQUE, in "Manifesto", Dezembro de 2003

Porto, 16 de Março de 2004

1 Comments:

Blogger Lurdes said...

Estes momentos de poesia são muito importantes. O que eu tenho conhecido por aqui...
Beijinhos

1:06 da tarde  

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