Sede de Infinito

Infinito é o que se encontra para além de tudo, do conhecimento, da imaginação, do alcance da mão. Ter sede do que se encontra para lá da linha do horizonte é a imensa vontade de alcançar o que não vemos, o que não possuímos, o que não conhecemos, é por fim, uma forma de perseguir o saber e o conhecimento, se assim o desejarmos, conduzir o sonho através do tempo.

10 novembro, 2008

POESIA AO AMANHECER


Bom dia, Amigos

Pois é verdade, segunda-feira de tarde entrei em declive e acabei no cinema a ver "Alguém tem de ceder". Não sei o que me seduziu neste filme, mas certamente foi o Jack Nicolson. Há qualquer coisa que me faz gostar do homem como actor, embora normalmente não conviva com os personagens que encarna. O filme era simples, mas abordava essa temática das relações humanas que envolve homens e mulheres. Ele que coleccionava mulheres abaixo dos 30 anos acaba apaixonado por uma cinquentona. Em abono da verdade, apareciam umas mulheres, abaixo dos 30, lindas de morrer. Claro que não sei o que fazer com tanta beleza. Temos essa tendência tola de mexer, mas mexer na beleza seja ela qual for só serve para estragar. Depois, estamos a falar da beleza do corpo, a que vemos de imediato e a que nos seduz arrebatadamente, mas esta é efémera, a outra, a da alma, essa sim é muito mais perene, mais difícil de se alcançar, mas quando lá chegamos, normalmente, ficamos para sempre. Mas que nos deixamos seduzir, deixamos, e a idade parece ter uma influência decisiva nisso. As verdadeiras razões ainda não encontrei. Quiçá uma sensação de perda. Por vezes, digo que é a pele, não a cor, mas a leveza, mas deve ser uma desculpa, porque certamente será outra coisa. Claro, o olhar brilha com mais intensidade, o sorriso é mais puro. É, certamente é tudo isso, mas continua a faltar qualquer coisa. Mas, o mais difícil é sermos capazes de assumir verdadeiramente a idade que temos. Provavelmente nunca o iremos conseguir, porque aí também reside o fascínio das relações humanas com todos os nossos arrebatamentos, as nossas paixões, as nossas loucuras, as nossas aventuras.
Ah! é verdade, o filme ainda tinha outra particularidade. Dois homens, um novo e outro velho, disputam uma mulher de cinquenta e muitos (Deane Keaton) e, naturalmente ganha o velho, da mesma forma que a miúda com menos de 30 acaba casada com um homem da idade dela. Aventuras à parte, a lei da vida impõem as suas razões. O filme acaba com ar romântico, naturalmente em Paris....

SONETO DE SEPARAÇÃO

De repente o riso fez-se pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

VINICIUS DE MORAES

"A conquista da herança do tio Macário pela prima Adelaide e marido foi um caso digno de ser dado como exemplo aos mais novos para aprenderem como com estudo, planeamento, perseverança, falta de vergonha, insensibilidade e fé, se podem alcançar os objectivos mais difíceis."

ANTÓNIO ALÇADA BAPTISTA, in "Tia Suzana meu Amor"

"Parei aqui para não chegar ao fim da estrada. Lá na ponta do alcatrão há uma cidade e gente à minha espera. Não me apetece chegar, não quero ver ninguém, não quero nada. Nem sequer ficar onde estou até congelar em cima do penedo. Voltar para trás também não. Parei o carro quando percebi que estava morto. As pessoas morrem quando perdem a vontade desta maneira. Quando tudo fica estático e não passa de uma amálgama indiferenciada."

JOÃO DE MELO

Porto, 09 de Junho de 2004

2 Comments:

Blogger Lurdes said...

Também vi esse filme. Gostei!
Quanto a "aventuras à parte, a lei da vida impõe as suas razões" será mesmo isso?!

Beijinhos

12:47 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Não, não é isso, como já tive oportunidade de te dizer. Por vezes, sem pensar, escrevemos coisas que não pensamos. Na verdade, acredito que as pessoas podem conviver, dialogar, serem companheiros, amarem-se mesmo, independentemente da idade de cada um.
Obrigado por me visitares.
Galileu, Galilei

8:28 da tarde  

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