Sede de Infinito

Infinito é o que se encontra para além de tudo, do conhecimento, da imaginação, do alcance da mão. Ter sede do que se encontra para lá da linha do horizonte é a imensa vontade de alcançar o que não vemos, o que não possuímos, o que não conhecemos, é por fim, uma forma de perseguir o saber e o conhecimento, se assim o desejarmos, conduzir o sonho através do tempo.

21 dezembro, 2006

POESIA AO AMANHECER

Bom dia, meus Amigos

Pois eu já vos disse que sair às 16 horas é uma sensação de viver muito grande, só que ontem saí às 13h30 para ir ao Tribunal e num dia assim, quente sem estar abafado, a sensação é de absoluta liberdade, é como se a um pássaro que tivesse crescido no interior do ninho de repente tirassem o chão e em queda se visse na necessidade de bater as asas e usufruísse da liberdade de voar, sobre tudo e sobre todos. Regressei às 15h30 ainda com essa sensação. Os madredeus cantavam, ao largo ainda arde/a barca da fantasia/que o meu sonho acaba tarde/acordar é que eu não queria, e ao olhar de cima da ponte para a foz do rio e ver aquela imensidão de água, aqueles dois infinitos de azul, senti que a tarde tinha valido a pena e o entardecer não seria tão triste como tem sido.
Ainda estava estonteado por esta ressaca, quando esta amanhã decidi deixar o carro à porta de casa, abandonar aquela corrida de 15 minutos via rápida fora, pegar na pasta e caminhar pelo sossego das ruas que rodeiam a minha casa usufruindo da possibilidade de olhar o céu acinzentado enquanto um bando de pombas aparecia no interior da luz que surgia de um buraco nas nuvens, ver as pessoas aqui e ali em movimentos nada apressados a luminosidade do sol trespassar o interior do campanário dando um ar de arte á sombra dos sinos, as águas dormentes do porto e no cais o movimento começava a espreguiçar-se para um novo dia. Foi assim que 15 minutos depois de sair de casa cheguei à Estação do Metro, este apareceu, sentei-me peguei num livro e deixei que o tempo corresse numa viagem serena, cómoda, sem sobressaltos, sem solavancos, quase sem ruído. Trinta minutos depois pude ainda caminhar pelo jardim da Rotunda pude olhar com olhos de ver a beleza de uma mulher bonita e 60 minutos após tudo ter começado aqui estou a falar convosco. Por isso, se no futuro este naco de prosa que se arma de poesia vos passar a chegar com atraso, sou eu que ando por aí a ver o dia nascer.

PRESENÇA

Cheio da tua ausência,
Nem sinto a solidão.
Vida, mulher ou mãe,
Feminina saudade,
Enche-me a paz que tem
A morte, a viuvez e a orfandade.

Negativo do amor,
E sua face ainda,
O já não ser amado
É uma pena suspensa
Que liga eternamente o condenado
Ao juiz da sentença.

Triste convívio, basta-me, contudo.
Todo de luto, mudo,
Cumpro os deveres humanos,
Limpo o suor da testa,
E atravesso os anos
Fiel ao desespero que me resta.

MIGUEL TORGA

"Partindo do facto de que cada onda durava um centésimo de segundo ou menos, os astrónomos concluíram que um pulsar era uma estrela incrivelmente pequena, muito mais pequena do que uma anã branca."

ROBERT JASTROW, in "A Arquitectura do Universo"

"Hoje, o computador aparece como impulsionador triplo da produção e distribuição da informação, actuando quer directamente sobre o utilizador das suas performances, quer indirectamente, pelos impactos que cada vez mais constituem o ambiente omnipresente do quotidiano individual e colectivo. "A desintegração da comunidade dos presentes em benefício da dos ausentes" é o seu preço."

ALFREDO CRUZ E HELENA RATO, in "Manifesto", Dezembro de 2003

Porto, 18 de Março de 2004

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